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Sagrado x Profano

por Pr Adilson Antunes

Numa tentativa de concluir, mas não esgotar o assunto, segue outros pontos a ser considerados sobre os aspectos culturais e o louvor através da musica na Igreja contemporânea:

Sagrado versus Profano

Como em todas as culturas do mundo, há no Brasil aspectos culturais favoráveis e desfavoráveis a uma adoração e louvor que exalte o nome do Senhor. Isto é ainda mais complicado, quando certos aspectos expressivos da cultura são amalgamados ou misturados ao contexto religioso, sendo tachados de sagrados quando agradam, mas profano quando não satisfazem a experiência religiosa “apriorística” (isto é, no sentido de anterior, a priori) de comunidades cristãs.

Há muito tempo que se discute sobre o sagrado e o profano. Por exemplo, as leis divinas prescritas por Moisés ao povo de Israel já pressupunham a existência do sagrado em oposição ao profano. Basta lembrarmos que, o mesmo sacerdote que oferecia sacrifícios a Deus pelo povo num cerimonial sagrado, era, em contrapartida, considerado impuro quando tocava um animal morto que não fosse oferta a Deus. No Antigo testamento, muitos casos evidenciam conflito coexistencial entre o sagrado e o profano.

Não é diferente, hoje em dia, com a música de louvor e adoração na Igreja. Muitas músicas cristãs são tachadas de profanas por não terem o nome de Deus, ou, “mundanas” por falarem de virtudes cristãs, como ao amor, sem mencionar o nome de Jesus. Parece que os crentes esquecem-se que o livro de Ester, apesar de não mencionar o nome de Deus nem uma só vez, apresenta um conteúdo que revela a providencial soberania Divina.

Também, os ritmos que caracterizam os estilos musicais, geram conflitos e polêmicas quanto a considerar sacro ou profano alguns cânticos evangélicos. De fato, reconheço não ser fácil lidar com nenhum desses exemplos apresentados e outros que porventura existam, afinal, que tipos de critérios usados poderiam ser perfeitamente divinais para seleção ou classificação de uma música profana e de outra sacra? Será que é tão simples assim afirmar que uma música é sacra e outra não, quando sabemos que o criador da música em si foi o próprio Deus? Será que o problema na realidade não está nas motivações? Creio, que são questões dignas de uma reflexão acurada e honesta, de acordo com as situações a fim que não se estabeleça juízos indevidos e equivocados, típico dos que se acham únicos donos da verdade. A Bíblia é sim regra de fé e prática bem como a única verdade revelada de Deus, mas será que isso se aplica também as opiniões preconceituosas de alguns? Tenho a impressão que não.

Na verdade, penso que em se tratando de sagrado e profano, somente Deus tem autoridade para considerar realmente sacra ou profana as músicas cristãs executadas como louvor na Igreja. Segundo um dos salmistas, é Deus quem conhece os intentos mais profundos da alma, que sonda e esquadrinha o coração humano e, sob este critério perfeito, aceita ou rejeita louvores que lhe são oferecidos na Igreja. A exemplo disso, temos os cultos de Caim e Abel, onde um foi rejeitado por Deus por ser considerado profano por não ter sido fruto de um coração puro e retamente intencionado enquanto o outro foi aceito diante Deus por ter sido aprovado diante do crivo e sonda daquEle que tudo conhece.

Deste modo, o único critério que nos resta, como ministros de Deus, é o de que as músicas, cânticos ou louvores não podem contrariar nem ferir a mensagem do evangelho. Porém, no que tange a outros fatores aqui já mencionados, vale a máxima de que todos os estilos ou formas musicais são apropriados para o louvor e adoração a Deus. Contudo, o bom senso pede que os ministros de Deus aqui na terra, considerem os aspectos culturais no qual estão inseridos. Isto é, o desafio do equilíbrio. Tema proposto a seguir.

A Busca Pelo Equilíbrio Como Desafio

Depois de observar a força ou influência dos aspectos culturais sobre o louvor da Igreja, e de averiguar que de fato há conflitos entre os cristãos, acerca do sagrado e o profano, em relação a música, eis o grande desafio: Como lidar com estas concepções diferenciadas, e distintas cosmovisões religiosas?

Penso que a postura comedida, equilibrada é a melhor, pois, os pólos ou extremos são sempre nocivos e receio que, em se tratando de louvor na Igreja, não seja diferente.
Quando digo, que a busca pelo equilíbrio é um desafio, procuro ser honesto e o menos ingênuo possível ante a realidade da Igreja Contemporânea. A tarefa dos ministros cristãos hodiernos, não é e nem será fácil. Árduo e desafiador é o caminho por um pensar atitudinal equilibrado quanto a quais tipos de músicas cristãs deverão ser utilizados nos cultos; músicas, que de fato glorifiquem a Deus mas que, ao mesmo tempo, não escandalize nem cause tamanho choque cultural naqueles que estarão cantando-as.

Paulo escrevendo sua primeira carta aos Coríntios recomendou a que vivêssemos um cristianismo que usufruísse a liberdade cristã sem afastar os cristãos vacilantes da fé no Senhor. Também, foi o mesmo apóstolo que disse aos Rm. 15.7,19 que: “Nenhum de nós vive para si e nenhum de nós morre para si... sigamos, pois, as coisas que servem para a paz e para a edificação de uns para com os outros”. Esta citação bíblica, sendo vista como base ou incentivo à busca por equilíbrio no louvor, tem como ênfase o fortalecimento, edificação e aproximação dos cristãos da comunhão com Deus. Tal premissa deve nortear todas as decisões e opções que a Igreja fizer acerca dos tipos, formas ou estilos musicais que deverão ser utilizados nos cultos de louvor e adoração.

A Bíblia não anistia os mais liberais nem tampouco os mais radicais ou conservadores quanto a esta questão, como os mesmos desejam. Pelo contrário, exorta sim, para uma busca incessante pelo equilíbrio puramente cristão que tenha como mandato maior o amor, o maior mandamento; conforme as palavras do apóstolo Paulo no décimo terceiro capítulo da primeira carta aos crentes em Corinto, onde o vemos mostrando a suprema excelência do amor.

O amor busca o equilíbrio nas incertezas e une nas divergências. O amor respeita a cultura, não rechaça preconceituosamente, pois dignifica o ser humano. O amor não “demoniza” o que é belo no homem enquanto imagem e semelhança de Deus, mas, também não silencia ante ao que é claramente pecado. O amor é o ponto de partida e de chegada, começo e fim de qualquer empreendimento humano que visa o equilíbrio bíblico para um louvor e adoração genuinamente cristão. O amor faz tudo isso porque Deus é amor, e quem o ama segue seus mandamentos.

Adilson Antunes
 é pastor e ministro de louvor na Igreja Evangélica Assembléia de Deus
de Florianópolis/SC e líder do Ministério de Adoração Um em Ti

Referência ABNT: ANTUNES, Adilson. Sagrado x Profano. Disponível em: <http://www.umemti.com.br/artigos.htm>. Acesso em: <10 de setembro de 2010>.

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